No dia 5 de novembro assinalou-se o Dia do Cuidador Informal, uma data que nos impele para a ação, em prol da dignidade da pessoa cuidada e de quem dela cuida. Rosalynn Carter, ex Primeira-dama dos Estados, conhecida por ser uma acérrima defensora da Saúde mental e do cuidado, fundou com o marido, Jimmy Carter, para apoiar cuidadores informais, o Rosalynn Carter Institute for Caregivers. Rosalynn disse que só há quatro tipos de pessoas no mundo: aquelas que foram cuidadoras; as que o são atualmente cuidadores; aquelas que serão cuidadoras e as que necessitarão de cuidadores.
Cuidar é um ato complexo, exigente, para o qual nem sempre estamos preparados. O cuidado é silenciado, por muitas razões, mas uma que é especialmente relevante: “ocultamos o cuidado porque vivemos sob uma ditadura da felicidade que nega a nossa verdadeira realidade.” Em Portugal, a esmagadora maioria dos cuidados prestados a pessoas dependentes é prestado por cuidadores informais. Os cuidados não podem continuar a ser um desafio invisível suportado, entre quatro paredes, na solidão.
Apesar de já termos o Estatuto do Cuidador Informal, são muitas as pessoas afetadas pela doença e suas cuidadoras que sentem falta de apoio e reconhecimento, tornando-se vulneráveis ao risco de isolamento e exclusão social. Temos recebido queixas de cuidadores que perderam apoios sociais devido à contabilização das prestações por deficiência, dependência e do subsídio de apoio ao cuidador informal como rendimento.
O estudo “Cuidadores e Autarquias – Ponto de situação”, conduzido por investigadores do Santa Maria Health School e do Rise Health, unidade de investigação sediada na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, indica que “apenas 25,3% dos municípios referem desenvolver iniciativas, programas ou projetos especificamente desenhados e dirigidos a esta população, que assume um papel central nos cuidados de longa duração, mas continua em grande parte invisibilizada nas políticas públicas.” Apenas 5,2% dos municípios desenvolvem programas estruturados e continuados como “serviços de substituição, descanso do cuidador e apoio psicossocial.”
O cuidado deveria ser, parece-me uma evidência, uma prioridade nacional. Não é! Em Viseu, no âmbito do Contrato Local de Desenvolvimento Social – CLDS 5G Viseu Plural: Itinerários Inclusivos, já estamos a trabalhar na criação de uma rede de apoio aos cuidadores informais e às pessoas cuidadas, em situação de vulnerabilidade económica ou social.
A constituição da rede poder-se-á apresentar como um bom ponto de partida para o desenvolvimento da Estratégia Municipal para Cuidadores, uma medida que consideramos urgente e necessária. Os cuidados têm que sair da sombra, são um dos motores da vida ainda que não o reconheçamos. Como seres vulneráveis que somos, todos podemos precisar de cuidados.



